Se pudesse falar com a versão de mim que entrou na UTAD, dizia-lhe para aproveitar tudo com mais calma. Dizia-lhe para não ter medo de pegar numa câmara, de errar uma peça, de improvisar um direto ou de aceitar desafios que, na altura, pareciam maiores do que ela própria.

Porque foi precisamente na UTAD TV que tudo começou.

Entre corredores, gravações, reuniões de última hora e horas passadas em edição, nasceu muito mais do que experiência académica. Nasceu um encanto difícil de explicar por aquilo a que muitos chamam “a caixinha mágica”. Foi ali que percebi o impacto que uma imagem pode ter, a força de uma história bem contada e a adrenalina que existe por detrás de tudo aquilo que o público vê durante poucos minutos.

A UTAD TV não era apenas uma web televisão universitária. Para mim, foi o primeiro contacto real com o mundo da televisão. O lugar onde aprendi a trabalhar em equipa, a comunicar, a resolver problemas em segundos e, acima de tudo, a descobrir aquilo que realmente me apaixonava.

Mas aquilo que tornou esta experiência ainda mais especial foram as pessoas que encontrei pelo caminho. Colegas que rapidamente se tornaram amigos, companheiros de gravações, de stress antes dos diretos e de muitas gargalhadas nos bastidores. Pessoas com quem cresci e com quem partilhei momentos que vou guardar para sempre.

E depois, os técnicos. Pessoas fundamentais neste percurso, que tiveram sempre paciência para ensinar, corrigir e ajudar. Foram eles que muitas vezes acreditaram mais em nós do que nós próprios. Entre dicas técnicas, conselhos e pequenas chamadas de atenção, ensinaram-nos muito mais do que televisão. Ensinaram-nos profissionalismo, dedicação e paixão pelo que fazemos.

Foram três anos de aprendizagem constante. Três anos de câmaras ligadas, microfones, bastidores, nervos antes de começar e felicidade no final de cada projeto. Três anos onde cresci não só enquanto estudante, mas também enquanto pessoa.

Hoje, olhando para trás, percebo que muito do que sou começou ali. Em cada reportagem, em cada cobertura, em cada momento vivido na UTAD TV. E talvez o mais bonito seja perceber que, sem dar conta, aquele pequeno estúdio universitário acabou por abrir portas para um mundo muito maior.

Se pudesse voltar atrás, só dizia uma coisa: aproveita cada segundo. Porque às vezes só percebemos o quanto evoluímos quando somos obrigados a sair do sítio onde nos sentíamos seguros – e na UTADTV eu sentia-me segura.