Será  que todos os livros têm o mesmo valor?

Estando submersa nos mundos entre páginas, já vi, ou melhor, senti esta pergunta a ser posta em cima da mesa. É possível que se tenha aflorado na minha mente pela primeira vez quando ganhei consciência que existem livros considerados “aceitáveis” e “menos aceitáveis”.

Existe uma espécie de pirâmide social no mundo da literatura; através de plataformas ou “castas”, os vários géneros literários arrumam-se nas suas gavetas. Alguns estão posicionados lá no topo, no bico polido, visível e perfeito. São os livros que “ficam bem” ler em público, aqueles que transmitem uma espécie de sabedoria pretensiosa. Aqui residem alguns dos clássicos, a literatura desconhecida, mas de aspeto culto, com títulos pomposos e com uma certa beleza inteligente. São os livros que estão normalmente pousados sobre a mesa do café, com a capa para cima e bem visível. E, depois, existem os outros. Os que têm a capa ao contrário. A casta considerada mais baixa. Aqui encontra-se a literatura considerada mais ligeira, a com desenhos, a mais moderna, que embora tenha todo o seu mérito, nem sempre é posicionada ao lado dos seus pares.

“Estás a ler isso?” ou “Isso nem é um livro a sério!” são frases que já fazem parte do reportório de um leitor que não se conforma em consumir a literatura considerada “erudita”. Porque nem tudo o que fazemos ou consumimos nos tem de enriquecer (embora acredite que exista sempre algo a retirar até do livro mais “simples”). Às vezes, alimentar a alma vale mais do empanturrar o cérebro.

Nem tudo o que contem ilustrações é para crianças e nem tudo o que se lê só pelo prazer ligeiro de ler é um desperdício de tempo. Num mundo cada vez mais corrido e opinativo, parar e ler o que se quer só porque se quer, sem “desculpas”, sem pensar no fator performativo do ato, é um travão na correria. É quase um ato de amor próprio.

Em papel, em formato digital, com pó de uma alfarrabista, novo em folha da livraria, com imagens, sem imagens, mais ligeiro, tão pesado! (e não só pelo número de páginas) cada um tem o seu valor inerente.

E quem opina o contrário é porque ainda não experimentou o mundo infinito de possibilidades que ter a mente literária aberta oferece.