Quando anunciam uma série feita pelos mesmos criadores de La Casa de Papel, as expectativas são super altas. O Refúgio Atómico, que a Netflix lançou em setembro de 2025, prometia juntar drama, suspense e crítica social, num cenário de fim do mundo, ou melhor, num refúgio subterrâneo de luxo onde uma elite tenta sobreviver a um desastre global irreversível.

A ideia de “O Refúgio Atómico” é um reflexo distorcido da nossa sociedade: grupos privilegiados que se isolam do caos que ajudaram a criar. No Kimera Underground Park, um bunker com um estilo retrofuturista e com a melhor tecnologia, há famílias inteiras a viver com seguranças, regras rígidas e cada vez mais tensões sociais.

A série é mesmo impressionante. Os cenários, que misturam brutalismo com luxo, dão ao espaço uma sensação interessante, porque é ao mesmo tempo confortável e claustrofóbico. Esta diferença entre estar bem e mal por dentro é uma das melhores partes da produção. Faz-nos lembrar que um abrigo pode ser perfeito por fora, mas um verdadeiro inferno por dentro.

O Refúgio Atómico é uma história que muda entre o thriller e o drama familiar, e mostra os conflitos de poder, ressentimentos e segredos entre as pessoas que lá vivem.

A série até entrou para o Top 10 da Netflix em vários países, o que mostra que, no início, as pessoas estavam curiosas e interessadas na história. Mas a crítica especializada não ficou muito convencida. Os sites de agregação deram avaliações baixas e muitos especialistas duvidaram se a história realmente mantinha a promessa que tinha no início.

Em dezembro de 2025, a própria Netflix confirmou o cancelamento da série após apenas uma temporada, deixando a história num ponto de interrupção e sem resolver muitos dos seus mistérios. Este final inesperado faz-nos pensar: será que a série foi demasiado ambiciosa para um público que gosta de coisas fortes, mas não tem paciência para pormenores? Ou teria se perdido em ambições que ultrapassaram as suas capacidades narrativas?

O “Refúgio Atómico” não é uma obra perfeita, longe disso. Às vezes, o drama não é tão profundo como gostaríamos e, noutras, a tensão exagera um pouco. Ainda assim, a série faz algo raro atualmente: faz as pessoas falarem sobre desigualdade, medo e como viver em conjunto em tempos de crise.

Se gostas de uma história com imagens intensas, personagens fortes e que te fazem pensar, e se gostas de thrillers apocalípticos, então vais adorar esta série da Netflix. Se queres uma fuga para o bunker que te faça rir e pensar ao mesmo tempo, então esta série é para ti. “O Refúgio Atómico” não é só uma história sobre sobreviver, é uma história que te faz ver o que é realmente importante.