“Geração 90” é um podcast apresentado pela jovem atriz e influenciadora digital Júlia Palha. Nascida em 1998, propõe-se a refletir sobre os desafios, inquietações e contradições da geração em que cresceu, aliando a sua experiência pessoal na vida adulta, num contexto marcado pela instabilidade económica, pela pressão social e, sobretudo, pelo crescimento da exposição digital.

O formato surge no seguimento de outros podcasts dedicados às gerações dos anos 60, 70 e 80, também produzidos pela SIC, mas com outras apresentadoras respetivas ao seu ano. Os episódios são lançados todas as terças-feiras nas plataformas digitais do canal e também no Spotify, onde alcança grande visibilidade. A jovem atriz, recebe convidados de diferentes áreas, sendo o mais recente o jogador do Sporting, Francisco Trincão.

Neste podcast, aborda-se de forma leve o peso dos sonhos e as expectativas numa geração ansiosa em relação ao futuro, sentimentos comuns a muitos jovens adultos. Cada episódio constrói-se a partir de um tom descontraído, onde a partilha de experiências pessoais assume um papel central. Júlia Palha posiciona-se como parte ativa da geração que analisa, criando empatia e proximidade com o público – uma abordagem que contribui para uma maior autenticidade.

A relevância temática de “Geração 90” é um dos principais pontos fortes. As conversas refletem preocupações recorrentes, como o medo do fracasso, a comparação constante nas redes sociais ou a dificuldade em corresponder a modelos de sucesso pré-estabelecidos. Ao dar espaço à vulnerabilidade, este podcast promove uma reflexão de todos, sobre aquilo que significa “ter a vida resolvida” numa geração, que, frequentemente, se sente pressionada em alcançar a estabilidade “o mais cedo possível”. No entanto, o panorama em que nos encontramos, atualmente, contribui, precisamente, para uma lógica contrária a esta, onde é cada vez mais comum abandonar a casa dos pais depois dos trinta anos.

“Geração 90” nem sempre aprofunda alguns temas de forma mais crítica mas cumpre eficazmente o seu objetivo comunicativo. Afirma-se, assim, como um retrato honesto de uma geração em constante construção, funcionando não só como um espaço de partilha, mas como um reflexo das fragilidades e ambições de quem nasceu e cresceu nos anos 90 em Portugal.