Falhar tornou-se um tabu numa geração que aprendeu a medir o seu valor pelos resultados.

Existe uma marca silenciosa que grande parte das gerações mais jovens, sobretudo millennials e geração Z passam quase todos os dias, para não dizer mesmo todos os dias. O medo de falhar raramente é assumido em voz alta e não se trata apenas de insegurança, mas também de uma geração moldada por um contexto social, económico e cultural que a ensinou a evitar o erro como se ele fosse sinónimo de fracasso definitivo.

Crescemos a ouvir que “tudo é possível” desde que haja esforço suficiente. A promessa parecia libertadora, mas rapidamente se transformou num fardo, que passamos a carregar todos os dias. Se tudo é possível, então falhar só pode ser culpa nossa. O resultado é uma geração altamente consciente de si mesma, mas paralisada pelo receio de não corresponder as expectativas.

Errar não é o fim de tudo, mas sim o início de uma nova jornada

As redes sociais vieram agravar ainda mais este receio, exibem versões editadas do sucesso alheio, onde o erro raramente aparece e o percurso parece sempre limpo e ascendente. Compararmo-nos torna-se mesmo inevitável e falhar é intolerável.

Este medo não se manifesta apenas na vida profissional. Ele infiltra-se nas relações, nos projetos pessoais, na criatividade. Quantas ideias ficam por tentar? Quantos caminhos não são seguidos por receio de “perder tempo” ou “ficar para trás”?

Que o medo de falhar nuca supere a vontade de conseguir

No entanto, falhar sempre fez parte do progresso humano. Inovar, criar, crescer implicam erro, revisão e tentativa. O problema não é o falhanço em si, mas a forma como aprendemos a interpretá-lo.

Talvez o verdadeiro desafio desta geração seja reaprender a falhar. Normalizar percursos não lineares, aceitar mudanças de rumo, permitir-se começar de novo. Isto exige uma mudança cultural mais ampla. As escolas devem começar a valorizar o pensamento crítico em vez da resposta certa, empresas que aceitem trajetórias diversas e uma sociedade que reconheça que sucesso não é sinónimo de perfeição.

Libertar-nos do medo de falhar não significa desistir da ambição. Significa, sim, recuperar a coragem de tentar. Porque uma geração que não falha por medo é, no fundo, uma geração impedida de avançar.