Folhear um livro é mágico.

Sentir o cheiro do papel, o ritmo das páginas a virar, o encanto de, nas margens, encontrar apontamentos apressados, transmite-me algo que é difícil explicar. Mas, num mundo frenético como o nosso, um labirinto de pressas e espirais de urgência, a praticidade é privilegiada. É assim que os e-readers têm ganho força.

Será que ler e colecionar livros físicos vai ser coisa do passado?

Desde pequena que gosto de ler histórias.

Comecei por ler histórias de aventura e mistério, não fosse eu uma criança curiosa. Por norma, requisitava livros na biblioteca da minha escola ou então fazia trocas de livros com os meus amigos.

Talvez, porque ninguém da minha família gostasse verdadeiramente de ler, fui perdendo o hábito de leitura. Passei a ler só de vez em quando. Hoje, esse é um dos meus maiores arrependimentos. Arrependo-me de não ter lido, por exemplo, certas coleções de livros enquanto criança.

Quando entrei para o meu segundo ano do secundário, quis o destino presentear-me com um ótimo professor de português, que me ajudou a redescobrir a leitura e o gosto que me dá.

Foi durante esse período, onde comentava com o meu professor os livros que lia e recebia indicações literárias, que ele me falou pela primeira vez nos E-readers.

Ao início, talvez pela minha ignorância, não conseguia perceber o que levava uma pessoa a trocar um livro físico por uma tela. Não fazia qualquer sentido! Até que fez.

 

Sempre gostei de levar as minhas leituras para todo o lado (até para um café numa sexta feira à noite), o que se tornava complicado quando lia livros grandes e decidia usar malas minúsculas.

Um outro problema, com o qual me deparava constantemente, era a falta de espaço na minha estante. Já não tinha mais espaço para todos os meus livros.

Mordi a minha língua e decidi então, depois de muito ponderar e pesquisar, e de ultrapassar a incerteza de não me adaptar, adquirir um Kobo.

Supreendi-me a mim própria quando percebi que ler num E-reader pode ser muito prático e consigo ler muito mais rápido. A grande maioria dos livros que li no último ano foi no Kobo.

Mesmo tendo descoberto que ler livros digitais me é mais prático, a todos os nível, de vez em quando sinto saudades de ler um livro físico, e por isso não os consigo largar totalmente.

Lendo um livro físico, posso folhear as páginas à vontade, posso anotar e rabiscar, posso partilhar com amigos. Ah, e um bónus extra. Posso usar um marcador de livro fofo!

Dizer que o livro físico é melhor que o digital, seria injusto. Ambos têm aspetos positivos. Ambos têm características negativas. É como tudo na vida.

No final do dia, os livros físicos são como os vinis, carregam as marcas do tempo e das pessoas que já lhe tocaram. Já os livros digitais, assemelham-se ao Spotify, trazem praticidade às nossas vidas.

Matérias diferentes mas que cumprem o mesmo propósito.

E vocês? Preferem livros em papel ou livros em digital?